03 agosto 2016

A moça dos olhos que falam.



Saiu sem rumo, sem direção, cabelos ao vento, pés no chão, se despiu da vida pesada que carregava, largou em uma rua qualquer a mala cheia de passado pesada que levava.

Fugiu.
Fugiu de si, dos outros, de alguém que nem sabia quem, sumiu no mundo, se perdeu duas ruas à frente, mas seguiu Zé, não se deixou abater, ligou o GPS do coração, e arrancou de si o satélite que a ligava na razão.

Saiu pra brincar de vida, sem nunca ter andado sozinha, se arriscou, passou
 dias-de-noites-frias, e não desistiu. Pensava sempre antes de dormir que voltar, era pior do que seguir, mesmo sem saber pra onde ir, ou o que a próxima esquina ou encruzilhada reservava para ti.

Preferia perambular com seus pés calejados, do que calçar os sapatos que apertava sempre os mesmos calos.

Ela é guerreira, tem em suas veias o sangue de gente que nasceu para batalhar e vencer por si só. Ela é o tipo de mulher que quando passa faz a gente suspirar.

Há quem diga Zé, que essa moça tem os olhos que falam, e que carrega neles, o sorriso que esconde dos lábios.

Cartas para o Zé - A moça dos olhos que falam. - Por Jeessy Batista.