19 agosto 2016

Cartas para o Zé. - A mala de saudade.

Hoje pela manhã, o vento me acordou ligeiro, batendo forte, me trazendo o cheiro do moço Zé, a saudade invadiu meu quarto, se deitou ao meu lado na cama, puxou meu cobertor e ficou.
Folgada, até meu café tomou.

Na última despedida ele esqueceu de levar uma mala cheia de saudade que eu tinha guardada aqui.
Sabe aquela danada que te pega de jeito entre-um-café, uma conversa, um cigarro ou um gole de cerveja que não desce redondo?
Essa!

Ele me beijou, disse que me amava e foi, eu, fiquei, como sempre, ali, naquele portão, aquele vento gelado me atravessava, enquanto eu o olhava  virando a esquina. A satisfação se faz pela quando ele me olha antes de dar o último passo para longe de mim.

Ele não sabe Zé, mas meu coração grita seu nome de saudade, parece ser clichê de paixão escolar, mas é a mais pura verdade. Pra não parecer adolescente eu me contenho e não conto, mas sinto, o que se torna pior. Por isso a mala.

Aquela cheia de saudade Zé.

Vou ter que comprar uma maior, a semana é longa demais pra empurrar mais sentimentos dentro dela, coitada, abandonada, esquecida.
Eu conto os segundos de segunda-à-sábado. Pra ouvir aquela campainha tocar, e matar o que me mata todos os dias, seja antes de dormir, no meio da tarde ou ao acordar.

Eu só espero Zé, que a saudade não me esfole sozinha.
Que ele acorde no meio da noite pensando em mim.
Que sinta meu cheiro.
Que tenha saudades dos meus cabelos em seu peito.
Que ouça uma música mais de uma vez só pra lembrar um pouquinho mais de mim.
Que ao longo do caos de seus dias, me lembre, me sinta, me chame, me grite, me ame.

Pequeninices Zé, miudezas, coisinhas que quem gosta sente, pelo prazer gostoso que é se entregar à um sentimento, por amar. Mergulhar, sem saber onde a maré te levará.

Jeessy B.