04 agosto 2016

Jeito ogro.


Por diversas vezes eu me vi a beira de um precipício.  Mesmo que imaginário ele não deixou de estar ali, me martirizando.
Nunca fui daquelas pessoas que estão sempre rodeadas de amigas, que podem contar para o que der e vier, aliás as minhas grandes amizades foram de goles e churrasqueira farta, mas passou, a cachaça acabou, a carne queimou, e a "amizade" se foi, como se não houvesse mais ninguém aqui.
Mas eu fiquei, e muitas vezes precisei de colo, de um ombro ou dois, ou somente de boas palavras que me fizessem enxergar um amanhã possivelmente melhor que o hoje.

Me refiz milhares de vezes sozinha,  pois nunca tive um amigo que olhasse por mim.
Tenho um jeito ogra de ser, que acredito ter ligação com isso, com o ser abandonada quando eu mais precisei, não sei demonstrar meus sentimentos para os outros. 
E as vezes o meu "fica bem", o meu "tenha fé",  ou o "não desista", é o máximo que eu posso, é meu limite,  não dá para ultrapassar isso. 

Andei por caminhos cheios de espinhos e meus pés mesmo calejados ainda teimam em não se acostumar com a dor.
Mas a pesar dos pesares,  hoje,  eu posso dizer que tenho com quem contar,  ao meu redor embora tenha sobrado uns restos de pessoas de má fé,  consigo enxergar gente que mesmo distante me dá bons motivos para seguir.

Não estão do meu lado, não seguram a minha mão,  mas que só de existirem, já me fazem bem, me ajudam a não desistir de seguir. E por mais que estejam distantes , longes dos meus olhos, sempre terão um lugar especial no meu coração. 
Desculpa não saber lidar, ou demonstrar,  mas os ogros têm jeitos estranhos de amar.

Jeessy Batista