14 agosto 2016

Sobre ser filha.


Eu nunca fui daquelas filhas confidentes, que contam tudo sobre seus dias, seus segredos, seus medos, nasci fechada demais dentro do meu mundo chamado mente, por isso externo minhas emoções através das palavras.

Mas graças a Deus eu tive o presente de ter meu pai aqui comigo.

Não sei se eu teria passado por tudo que passei, se teria suportado, e aprendido com meus erros se ele não estivesse ao meu lado.
Ele também é daqueles pais durões, que não de deixa abater, mas é só fachada, coloca um filme triste, ou dê play naquela musica que marcou parte da minha infância. Ele desmonta, derrete, e chora como uma criança.
Pequenino de tamanho, e um gigante de alma e coração.

Esse é meu pai, duro na queda, o veinho que assim como minha mãe, eu rezo todos os dias pedindo pra Deus cuidar, e proteger do mundo la fora.

Penso que de tanto ser cuidada, mimada, e amada, aprendi a ser pai, a querer dar colo, se doar, se sacrificar, como daquela vez que ele trabalhou de sol-a-sol economizando cada centavo para pagar o aluguel do meu vestido de dama de honra, e sei o quão orgulhoso ele se sentiu me vendo entrar pelas portas daquela igreja de branco.

Esse, foi apenas um dos milhões de sacrifícios que ele fez e faz por mim e pelos meus irmãos.
As vezes ele pensa que eu não vejo, ou não reconheço, mas pai, eu sei dos teus medos, dos teus acertos e erros, eu vejo, e quando eu for mãe, prometo que suas histórias lá do interior serão passadas aos seus netos.

Sei que por aí, muitos não tiveram esse presente que eu tive, o senhor mesmo não teve pai, mas teve seu avô que te cuidou melhor que ninguém.  Tudo depende do modo que enxergamos, as vezes a distância soma, a falta ajuda, e a ausência aproxima nossos corações de outras pessoas, que por mais que não pareça naquele momento, com o tempo, percebemos que foi o melhor.

O tempo pode me tirar tudo, o mundo pode ser duro, mas você nunca será esquecido em um canto qualquer, m e u   p a i.

Jeessy B.