03 setembro 2016

Caçador de lágrimas.

Você era um maldito caçador de lágrimas, minhas lágrimas por assim dizer.
Te satisfazia, te saciava meu choro, te deixava completo meu sofrimento, enquanto ele me rasgava por dentro.
Mentia, traía, batia. Achava que suas palavras não me atingiam, tolo, ardiam como ferro em brasa.
Tudo pelo nobre propósito de inflar o teu ego, e me tratar como um grande monte de nada.
Eu trazia de tudo, tudo pra você, pra te agradar, te fazer feliz, único, mas era em vão.

Me cortei em pedaços por alguém que carregava em suas mãos um arco e flecha cujo o alvo era meu coração.

Coitado, ele teve que aprender a se refazer. Sozinho. Apesar de, às vezes, me deparar com ele estando cansado de tantas insistências em vão, de tantas decepções, ele segue forte; jamais morreria por uma falta que não lhe cabe mais sentir. Nem por um certo alguém que nunca soube tratá-lo com a mesma imensidão de desejos, de entrega. Esse alguém era apenas uma fumaça, enquanto eu ardia em chamas. Contudo, agora não mais...

Então, vá caçar novas ilusões em outros lugares, já que não sou mais sua pobre presa, indefesa. Pois me libertei do seu desamor. E as minhas lágrimas por você cessaram. Mas meu coração, guerreiro, permanece bem vivo. A única coisa que morreu aqui dentro foi o teu poder sobre mim... Ele, sim, já se foi, e para todo o sempre.

Andressa Badin Castro & Jeessy Batista