19 outubro 2016

Meu amor Zé .

A angustia me toma o peito.
A razão não esta mais em mim.
O bom senso saiu para dar uma volta.
A paciência, foi junto e bateu a porta.
Não sou mais eu aqui Zé, o ódio, a raiva, a vontade de sumir, gritar, ofender, se possível bater, me tomou inteira. Dos cabelos aos dedos dos pés, eu sou ira.

A m o r   também é ódio Zé, ressentimento, tristeza, mágoa, vontade de jogar tudo pro alto, pra ver, se alguém sente falta, se o coração vai chorar, e a solidão, vai fazer lembrar.
A m o r   dói, corta, fere, mesmo sem que seja visto aos olhos nus.

Eu tentei escrever antes, mas o turbilhão de sensações, e sentimentos que levo comigo, me impediram, tiraram minha voz, me travaram os dedos, é difícil se mostrar culpado diante de tantos muros altos.
É Zé, muros construídos parar barrar as batidas, e a vontade de um coração, vez-ou-outra eu escuto ele gritar, mas o orgulho, te deixa mudo, vazio, mesmo transbordando coisas boas.

Eu me esforço pra por abaixo essas construções que nos impedem de sentir, de viver. Os anos passam, mas eu não desisto.

Eu amo Zé, mas eu amo tanto, daqueles amores de novela, filme, romance de livro, que daria a vida por tudo isso, que tiraria o próprio sangue pra salvar, e doaria a pele pra proteger.
Os dias vazios passam, esse eco faz barulho demais nego, me faz molhar o travesseiro quando tento dormir, mas eu rezo, rezo por dias melhores, de coração calmo, pleno, tranquilo, amado, pelo meu amor.
Quando ele me liga, é engraçado Zé, eu tento me conter, não demonstrar emoção, mas aqui dentro, tudo bate forte, parece uma bateria de escola de samba.
Ele me ama, do seu jeito torto, desajeitado, sem sintonia, como passos descompassados, como uma criança quando aprende a andar.
Em seus planos, meu nome ganhou o papel principal.

Eu des-fiz, e re-fiz meus planos milhares de vezes, me imaginei sozinha, mas me senti como alguém que chega após um dia de trabalho, cheia de novidades, coisas boas, mas não tem pra quem contar.
Nessa imaginação a sala estava vazia,  sobrava espaço no guarda-roupas, não tinha toalha molhada na cama, roupas no sofá, não tinha risadas misturadas, conversas, sabores, nem o cheiro do feijão fresco pairando no ar.
Não tinha eu, pois se você não estivesse na minha vida, ela teria perdido o sentido.
Não tinha você.
Não tinha nós.
O ódio passou, a raiva sumiu, o sangue esfriou. Porque  a m o r  , é um misto de tudo, isso inclui imperfeições e erros.
A m o r  também é deifeito.
Se os sentimentos ruins predominam, os bons saem para passear, no nosso caso Zé, é o contrario. Em meio ao inferno dos ruins, o  a m o r  predomina, se sobressai, completa, transborda. Faz ficar, não por obrigação, mas por vontade, pois os motivos e para ir existem, mas os que pedem pra ficar, são maiores ainda.

Meu amor Zé. - Por Jeessy B.