01 dezembro 2016

Embriagada de verdades.


Já me esbaldei do amargo que a vida me ofereceu.
Mesmo não vivendo um conto de fadas, sei que não posso me queixar.

Os ventos não têm sido ruins,  ruim tem sido tudo o que eu tenho lido e ouvido sobre mim.
Isso me mata por dentro,  nunca fui de ligar para os que os outros pensam ou falam sobre,  mas à algumas semanas percebi que a maioria das pessoas que me abraçam,  são na verdade contra mim.
E sinceramente,  eu não me acho uma pessoa ruim,  eu só não sou como a maioria que se escondem atrás de máscaras para se fazer de algo que não são. 

A minha  v e r d a d e  nos olhos fere as pessoas,  isso é um absurdo em um mundo onde gritam por verdade, eu sou condenada por não ser falsa. Por não me deixar manipular, nem ser como todos.
O pior não é saber que a maioria das pessoas que me rodeiam têm pedras nas mãos, prontas para atirar em minha direção, e sim o que eu sinto, é solidão.
Quando penso que posso chamar alguém de "amiga" , contar meus segredos, falar o que se passa aqui dentro, a vida me mostra que a única pessoa que eu posso denominar assim sou eu,  e quem olha por mim.

É triste,  olho para todos os lados,  e mesmo em meio a multidão,  eu ainda estou só.  
O problema sou eu? 
Ou quem não sabe o que é viver sendo de verdade? 

A intensidade,  as vezes pode sim ter me atrapalhado,  já tomei muitas decisões por impulso,  já julguei,  já xinguei,  e maltratei pessoas que mereciam, e outras, que não.  
Mas nunca,  nunca na minha vida,  eu deixei de assumir meus erros,  seja ele qual for.
Não sou covarde,  e não me escondo dos fatos,  e por dar a cara a tapa,  por ser pura intensidade,  por ser eu, me sinto triste.  Não por mim, mas por ver tanta gente me apedrejar as escondidas, por não ter coragem para enfrentar a si mesmo.
Mas vai passar,  sempre passa.
Vez ou outra a vida me prega essas peças. 
Me ensina a confiar desconfiando.

Livrei-me dos pesos que eu não suportava mais carregar, como eu já sabia que iria acontecer. A verdade doeu, cortou, me esfolou, mas foi melhor que qualquer doce mentira que já tinha sido contada aos meus ouvidos. Hoje, ando mais leve, mais calma, serena, centrada, poderia citar muitas coisas, mas nada, nadinha, poderia expressar com exatidão o que eu sinto e o que eu vivo.

Acreditei tanto em más palavras jogadas ao vento que nem percebi que esse mesmo vento as levava para longe de mim.

Depois de tanto ralar os joelhos e o coração, me deixei ser guiada por ele, e hoje esse tal vento do qual eu tanto falo e que me leva para onde devo ir, se tornou minha pernas, minha intuição, meus olhos e meu fiel guia. E mesmo com os joelhos ralados e o coração dilacerado, agradeço diariamente por ter tido força o suficiente para não me vender por meia dúzia de palavras bonitas. 

Em silêncio eu segui, enfim, aprendi o que é viver, caí, me machuquei, me cortei, me ralei, mesmo assim, eu não me permiti desistir, não por mim, mas muitas vezes pelos outros, porque, ao meu redor, muitos desejavam ver a minha queda e eu não poderia deixar essa má plateia me aplaudir. Porque, para ser feliz, é necessário ignorar certas pessoas, certos comentários, certos acontecimentos e, digo mais, para ser feliz, temos de aprender a ignorar certos passados.

Se uns me desejam mal,  eu só tenho bem aqui,  os bolsos estão fartos disso,  pois quem emana coisas boas para o universo,  recebe isso de volta aos montes. 

E como eu sempre digo,  que venham mais doses de verdades,  porque de mentiras eu já me embriaguei a vida inteira.

Jeessy B.