29 março 2017

Flor que se cheire.

                   

Eu nunca fui flor que de cheire.
Nunca fui a mocinha da história.
Nunca sai como a certa, por mais que estivesse.
Nunca fui considerada a melhor amiga de ninguém.
Nunca fui meiga.
Sou julgada diariamente por uma sociedade que tenta impor que eu viva um modo de vida que não é meu.
Ouço cochichos de gente que não se agrada com a minha presença.
Posso contar nos dedos das mãos quem está por mim.
Vejo os risinhos falsos que tentam me enganar.
99,9% das vezes que discuti,  ou briguei com alguém,  sai como a errada.
Isso tudo por ser transparente demais.

Ser a verdade que muita das vezes esta oculta.
Sempre me res(guardo), me esquivo de palavras e pessoas ruins.
Não grito minha opinião, não falo mal, não tomo partido,  não escolho lado.
E por ser assim, dizem que sempre estou em cima do muro.
Eu prefiro guardar a opinião que tenho, para mim, porque sei que não serei compreendida.
Sempre que escolhi um lado,  no fim me vi sozinha, então de tanto ralar os joelhos,  ganhei jogo de cintura pra aprender a parar de tropeçar.
Aprendi a ouvir os dois lados de toda e qualquer situação,  porque falar até papagaio fala.

Jeessy B.

15 março 2017

Insana.


Cansei de explodir o que pensava e apontar o dedo para me defender. 
Cansei de aconselhar e ser metralhada pelas costas. 
Cansei de sorrir e abraçar, para depois ser mais um nome julgado. 

Não sou sonsa, não sou cínica, sou apta ao deboche dessa meia dúzia de gente, que pensa que eu não sei de nada. Silenciar e observar, é saber como andar no mundo das cobras.
Ao meu redor,  posso contar nos dedos de uma mão os verdadeiros,  os que vem para somar,  e os que não somam,  mas também não tentam diminuir. 

Esses sim merecem minha amizade,  minha companhia,  minha lealdade,  o resto, como sempre digo,  é mero coleguismo.  A vida me ensinou a viver em uma sociedade diversificada,  mas meu bem,  isso não significa que eu tenha que engolir o seu veneno podre.
Porque eu, posso ser dada como louca, mas eu prefiro ser assim,  insana, do que falsa.

Jeessy B. & Joyce Xavier

Ela.

Ela sabe reconhecer quem caminha ao lado dela por aceitação e não por bajulação. Isso é determinante para que ela não se renda às ilusões. 
Ela sabe que precisa estar sozinha em alguns momentos e, quanto a isso, aceita muito bem e até gosta, pois seus pensamentos não a incomodam. 
E mesmo não tendo a vida perfeita ela não desiste de sorrir, e mostrar como a rotina pode ser bela através dos teus olhos castanhos tão vivos, que gritam ousadias por aí.

Por mais que lá fora os dias sejam nublados,  o que importa é o brilho que ela carrega dentro de si,  a fé que não a deixa cair,  os ventos que lhe mostram a direção,  e os tombos,  que mesmo as vezes atrapalhando, também a ajuda a levantar,  e (re)aprender à caminhar.
Ela aprendeu com o tempo, que precisa estar em comunhão com sua própria companhia para que nunca corra o risco de perder-se de si mesma.

Andressa Badin Castro & Jeessy B.

Arrisque, tente, lute.


 A gente cansa do oportunismo alheio, a gente cansa de ser feito de válvula de escape , de só servir para o outro quando há interesse envolvido. 

A gente simplesmente perde a vontade de ter pessoas assim na nossa vida, mas no final das contas, quem perde é o outro que não sabe ser recíproco. Não sabe o sabor do doar,  e com o passar do tempo receber,  desaprende a receber coisas boas,  porque da porta pra fora o mundo não é colorido,  não é brilhante,  não é bonito, e o arco íris geralmente está em falta.

E isso depende de cada um de nós,  cada gota de tinta,  cada lantejoula,  cada ser que coloca as mãos na massa,  e arrisca,  tenta,  luta,  porque independente do resultado,  desistir sempre é mais difícil do que continuar.
Com o passar dos anos a gente aprende a con(viver) em paz consigo, sem criticar, apontar, ou maldizer o outros.
Sabe porque? 
Porque quem vive sua própria rotina,  não tem tempo para perder.

Jeessy B. & Sabrina C. Braga

01 março 2017

Um amor puro chamado Oyá.

Oyá minha rainha.
Minha vida.
Meu Orisá 
Que me protege nos caminhos e nunca me deixa sozinha caminhar. 
Ela é brisa leve que toca o meu rosto nos dias bons. 
O vendável que me balança os cabelos nos dias ruins, para de mim, o mal afastar. 
Tenho o maior orgulho do mundo de ter nascido filha de Oyá. 
Ainda que no ventre de minha mãe,  eu fui escolhida.
Sou filha dos ventos que refrescam os dias de calor.
Sou filha da borboleta que me alegra a voar no nono andar.
Sou filha do raio,  que clareia os céus sem brilho nos dias chuvosos.
E do fogo dividido com Sàngó, o rei da minha vida.
A felicidade em ver minha mãe dançar,  não cabe no peito, nos olhos, menos ainda no sorriso.
Uma criança no ápice de sua alegria chora,  e eu,  choro quando vejo Oyá. 
Acordar em uma quarta sem expectativas,  abrir as janelas,  e ver o céu rosado de Oyá é sentir que a vida tem sentido,  que tudo vale a pena, que eu não carrego essa fé toda por carregar.
Sou,  e sempre serei filha de Oyá,  isso nada, nem ninguém pode mudar.

Jeessy B.