31 maio 2017

A cerca.


Descalça, despida dos outros, despida de si mesma.
Descendo uma ladeira ou viela qualquer, sozinha, mas nunca só.
Cabelos ao vento, de cara lavada, talvez pela chuva, talvez pelas lágrimas.
Sem corda, nó, ou laço para te amarrar, ou te obrigar a ficar​.
Sem rumo, sem endereço, sem destino.
Livre dos pesos, passados, livre dos olhos.

É Zé, talvez falte isso.
A falta, o vazio, o barulho que o eco faz.
Me sinto presa em algo que não é meu, insisto em ficar, mas esse talvez, não seja o meu lugar.

Certa vez ouvi sobre a história de uma cerca, que quando esburacada por pregos e marteladas, nunca voltaria a ser a mesma, ter a mesma força.
Eu me sinto como a tal cerca Zé.
A cada novo prego, um novo buraco, uma nova ferida, uma futura cicatriz.
A cada martelada, eu luto para me refazer e me fazer de forte, enquanto vejo meu sangue esvaindo na forma das lágrimas que não consigo conter.

É Zé, o vento que está batendo na minha janela, e secando essas lágrimas agora, grita ao pé do meu ouvido: "."
E o meu maior medo, é ficar, e continuar aqui, deitada na minha cama de solteira, vendo ele balançar minhas cortinas, enquanto me lamento por não ter ouvido o seu chamado.