29 maio 2017

Um punhado de sensações, sentimentos, saudades e palavras.

Eu me odeio Zé.
É isso mesmo que você ouviu, eu me odeio, e não é só isso, eu queria me afogar, e acabar comigo mesma, com essa eu que os outros apontam sem conhecer, detestam sem trocar uma palavra,  eu queria sumir comigo mesma, desaparecer com essa pessoa que as outras não vão com a cara.
É difícil me mostrar assim tão eu, por isso, aguente os soluços e meu pranto, por fora, essas lágrimas tentam demostrar o que se passa aqui dentro, mas infelizmente elas são inúteis. Até dessa minha verdade, duvidam.

Tudo Zé, às vezes olho ao meu redor e não me re-conheço de tanto que mudei, e me moldei pra agradar, quem pouco se importa comigo.

O reflexo do espelho, não é mais meu, eu vivo em um lugar, onde detesto a cidade, não conheço quase ninguém, e os poucos que conheço me julgam e me jogam pedras.
Até quando eu acerto, estou errada.
Aqui Zé, eu não sinto o cheiro de mato que eu gosto, o sabor de um hambúrguer daquela marca famosa de fast-food , nem se compara com o do frango com quiabo-e-angu que eu tanto gosto.
Nada tem a minha cara nesse lugar, e pra ser sincera, me orgulho de não parecer com esse céu cinza, e com as poucas árvores solitárias que restaram.

Meus pais não são os mesmos, e eles não sabem a falta que eu sinto de como eram, sinto falta das pequenas coisas, já que minha família não carrega nenhuma riqueza a não ser a fé.
Sinto falta de pessoas que conheci, de quem me cuidou e olhou por mim quando pequena. Que saudade daquela senhora que me benzia e já se foi, saudades da senhora que "curou" meu umbigo quando recém nascida, saudades do padrasto da minha mãe que eu chamava de pai,  quando o meu pai viajava para trabalhar. Saudades de minha avó, da minha tia, e de outras pessoas as quais palavras, não conseguiriam​ definir tudo o que carrego aqui.

Não sou uma coitada Zé, mas tem dias em que o vento bate contrário, e eu, só sei ser lágrimas e lembranças, infelizmente não ficaram só as boas, pois as ruins me fizeram chegar até aqui.
Eu, sou, exatamente tudo aquilo que vivi, na minha mala tem um punhado do que passou, inclusive dessa angustia que me assola hoje.

Aos poucos, me tornei desconfiada demais, eu sei, algumas pessoas não merecem isso, mas como ao longo dos anos fui traída pela maioria,  sempre terei um dos meus pés atrás, sou adepta do: É-melhor-prevenir-do-que-remediar. Espero tudo de todos, embora haja uma esperança infinita em mim. E mesmo sendo apontada, prefiro escolher ser diferente, e não falar mal de ninguém, aprendi com Freud Sigmund, que: "Quando Pedro me fala de João, sei mais de Pedro do que de João."
Prefiro observar, e guardar o que penso para mim mesma. Acredito que que se à maioria usassem​ isso como mantra, ou religião, o mundo seria um pouco melhor.

Essa carta é um desabafo de tudo, todo o turbilhão de sensações, lembranças, e amarguras que tenho. Eu, um dia Zé, vou aprender a me desprender disso também. Foram tantas coisas ruins que abandonei pelo caminho, que acredito, na verdade prefiro acreditar, que um dia isso vai se desprender de mim.

Eu só espero Zé, que quando este dia chegar, eu seja, um pouquinho mais compreendida e menos julgada. Mais abraçada, e menos apunhalada.
Obrigada por me ouvir, de corpo, alma, coração e colo Zé, vou rezar, e pedir com fé, que amanhã os bons ventos voltem a fazer de mim, a muralha de sempre, contra os maus olhos,  e as más sensações que às vezes me tomam.

  Cartas para o Zé. Autora: Jeessy B.